Dois dias reunindo a comunidade da arqueologia preventiva para discutir a nova legislação, boas práticas e o fortalecimento do setor.
O 3º Congresso Anual da Associação Brasileira de Arqueologia Preventiva percorre rotas desde a realidade teórica nas universidades até a prática mais atual dentro da nova legislação vigente, criando bases e boas práticas para toda a comunidade.

Homenagem a figuras importantes do setor, cujas trajetórias abriram caminho para a arqueologia brasileira.

Historiador e arqueólogo, fundador e Diretor-Presidente do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB). Por mais de seis décadas foi central na consolidação da arqueologia científica no Brasil — do PRONAPA aos Geoglifos do Acre — e na formação de gerações de pesquisadores.

Arqueólogo e pesquisador com mais de seis décadas dedicadas à preservação do patrimônio arqueológico brasileiro. Pioneiro da Arqueologia Histórica e criador do Laboratório de Arqueologia da UFPE, coordenou diagnósticos, prospecções, resgates e monitoramentos na arqueologia preventiva, formando gerações de profissionais.
Historiador e arqueólogo · Fundador e Diretor-Presidente do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB)
Ondemar Ferreira Dias Júnior, conhecido publicamente como Ondemar Dias, brasileiro, nasceu em 17 de dezembro de 1939, no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, e faleceu em janeiro de 2026. Historiador e arqueólogo, pesquisador, professor e gestor institucional, foi fundador e dirigente histórico do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), que presidiu como Diretor-Presidente desde 2005. Atuação institucional e científica especialmente vinculada ao IAB, em Belford Roxo — RJ, com residência no Rio de Janeiro — RJ.
Na UFRJ foi professor titular de História da América e dirigiu departamentos de Mestrado e Doutorado. Lecionou também na Universidade Santa Úrsula, Gama Filho, Estácio de Sá e Faculdade de Vassouras. Por 64 anos, sua trajetória esteve diretamente associada à consolidação da arqueologia científica no Brasil.
Década de 1960
Participou da fundação do IAB (1961) e, como Diretor de Pesquisas, do processo de consolidação do PRONAPA, contribuindo para a introdução de procedimentos sistemáticos de pesquisa, documentação e análise arqueológica no país.
Década de 1970
A partir de 1971, criou e participou de programas de pesquisa em diferentes regiões — arte rupestre, prospecções extensivas e registro de sítios pré-coloniais e históricos — com destaque para os estudos no sítio Boqueirão Soberbo e para o Programa de Pesquisas Arqueológicas no Vale do São Francisco (PROPEVALE). Entre 1971 e 1978, no PROPEVALE, pesquisou as drenagens dos rios Muriaé e Sapucaí (região do “Paraíba Mineiro”), registrando no IPHAN centenas de sítios de Minas Gerais. Integrou o Programa Litoral Fluminense, propondo as tradições arqueológicas Una e Itaipu a partir de sítios como Duna da Boa Vista (Cabo Frio), Duna de Itaipu (Niterói), Corondó, Malhada, Sambaqui da Tarioba, Sítio do Caju e Piaí. Em 1976 instituiu o Programa Grutas Mineiras, incluindo a Gruta do Gentio, em Unaí. Participou de ações de resgate, entre elas a de Salto Grande, no Uruguai, representando o Brasil. Em 1977, designado pelo PRONAPA junto com Franklin Levy, desbravou o território do Acre, descobrindo e registrando os primeiros sítios hoje conhecidos como Geoglifos do Acre.
Década de 1980
Deu continuidade às pesquisas em Minas Gerais, Rio de Janeiro e na região amazônica. No Programa Grutas Mineiras, investigou Montes Claros, Varzelândia, Lapa do Barreirinho, Boqueirão Soberbo, Lapa do Zé Preto e Lapa da Várzea de Cima. Participou de fases do PRONAPABA na bacia Amazônica — cursos dos rios Juruá e Solimões e áreas dos lagos Uará, Uarini, Tefé e Coari —, localizando e documentando numerosos sítios.
Década de 1990
Prosseguiu com pesquisas em Minas Gerais, na Amazônia e no Rio de Janeiro, com destaque para a Lapa da Várzea de Cima (Varzelândia) e para a Serra do Cabral (identificação de sítios com pinturas rupestres). Atuou no Litoral Fluminense (Guaratiba e Sambaqui da Tarioba). Em 1993 propôs o projeto “Origens da Agricultura”. Passou a atuar também em arqueologia histórica e patrimônio cultural, incluindo Praça XV de Novembro, Engenho do Valqueire, Nossa Senhora da Conceição e Picota da Pavuna.
Década de 2000
Ampliou a atuação para arqueologia preventiva, monitoramento, salvamento e educação patrimonial. Com Marcos Zimmermann, criou o Núcleo Tocantinense de Arqueologia (NUTA), em convênio entre o IAB e a UNITINS. Entre os projetos: Saltifens, Saltovia, Projeto Pimenta, Aeroporto Eurico Salles, Projeto Itaguaí, Saltestreito, UHE Estreito, UHE Batalha, UHE Jirau, Gasduc e Gasjap.
Década de 2010
Manteve o IAB atuando em pesquisa, arqueologia preventiva, monitoramento e gestão de patrimônio — Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, UHE Jirau, UHE Batalha, UHE Estreito, Plansal e Serra do Cabral. A partir de 2015 destacou-se na curadoria de coleções: a de cerca de 1,4 milhão de artefatos que incluiu o Cais do Valongo; as coleções da UHE Samuel (2016); a ampliação da Mina de Corumbá (2017); e o acervo do sítio Antiga Sé (2018), cujos dados foram cruciais para a tese da Drª Jandira Neto. Instituiu formalmente perante o IPHAN um curso de pós-graduação lato sensu em Arqueologia Brasileira, formalizando o ingresso de cerca de cem novos arqueólogos no mercado de trabalho.
Década de 2020
Manteve participação em pesquisa e gestão do patrimônio arqueológico: Asilo Barão do Amparo, em Vassouras (2019); Porto de Santos — SP (2020); Monitoramento Arqueológico da Fazenda São Bernardino (2022); e pesquisas no Cemitério de Jurujuba (2023).
A opção por manter a sede do IAB em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, aproximou a produção científica de uma população historicamente distante dos circuitos acadêmicos. Dessa escolha derivaram iniciativas de inclusão social pela ciência, com destaque para o Projeto Pesquisador Curumim, voltado à participação de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade em atividades de pesquisa, laboratório e curadoria de acervo, além de programas de educação patrimonial e produção editorial. Suas pesquisas devolveram a comunidades locais narrativas de origem e pertencimento — dos Goitacá no Sítio do Caju às populações das grutas mineiras e a contextos da diáspora africana no Rio de Janeiro.
“Acho que a coisa mais importante que a gente está fazendo é, pela primeira vez, a noção da ancestralidade. O que que se deve aos nossos antepassados. Qual é o papel nosso também que seremos ancestrais um dia. Esse vínculo, esse caminho entre o que é ontem, o que é hoje e o que será amanhã, é o fundamental nesse nosso programa.” — Ondemar Dias, 2023, sobre os 20 anos do Projeto Pesquisador Curumim.
Defensor da circulação gratuita do conhecimento, em momentos de restrição orçamentária aportou recursos pessoais para assegurar a continuidade das atividades e dos projetos sociais do Instituto. Manteve-se em plena atividade intelectual até a última semana de vida, deixando concluídos e inéditos cursos, livros e publicações. O acervo reunido pelo IAB ao longo de sua história é estimado em aproximadamente 4,5 milhões de artefatos arqueológicos.
Reconhecimentos obtidos pelo IAB sob a presidência de Ondemar Dias (2005–2026):

Ed. Parlamundi (Templo LBV), Asa Sul — Brasília/DF. Auditório principal das mesas e conferências.

Asa Norte — Brasília/DF. Confraternização com vista para o pôr do sol da capital.

Ao fim do primeiro dia, um ônibus temático faz o traslado da Sala Tom Jobim até o happy hour no Terraço do Saint Moritz — com muita energia para integrar os participantes pela noite de Brasília.
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